Vez por outra vejo em comunidades no Orkut ou mesmo recebo e-mails pedindo dicas de como narrar direito perguntando como se tornar um bom narrador e coisas do tipo, o último e-mail que eu recebi foi justamente sobre isso, mas não foi pedindo dicas e sim para ensinar como se deve fazer. Não vou colocar aqui um curso teórico de narrativa de RPG, mas vou fazer como alguns escritores auto-ajuda fazem, vou contar algumas historinhas.
Como todos eu não comecei a jogar RPG sabendo narrar, muito pelo contrário, no primeiro grupo de RPG em que eu joguei haviam duas pessoas que narravam, mas eles já estavam de saco cheio e pediram para que os outros jogadores começassem a narrar também, eu não me prontifiquei porque eu não tinha segurança para levar uma história de muitas sessões de jogo nem sabia muita coisa das regras (na época jogávamos Vampiro: A Máscara 2ª edição).
Depois de muita insistência eu disse que narraria, mas seria uma curtinha para eu poder pegar o jeito, desta forma, peguei os livros e passei umas duas semanas lendo direto e anotando as regras principais e perguntando o que eu tinha dúvidas para as pessoas que jogavam a mais tempo (na época eu não tinha acesso à internet, o que me dificultou mais quanto a isso). Algo que me ajudou bastante foi ficar observando os outros narradores do grupo para aprender alguma coisa.
Como eu não consegui esclarecer todas as minhas dúvidas nem consegui ler os livros inteiros, resolvi fazer uma aventura muito simples, hoje não lembro mais como foi em detalhes, mas era o tipo da coisa de ter que encontrar uma pessoa e arrancar dela algum tipo de informação. Assim, eu estruturei a aventura de uma forma que eu não precisei usar as regras que eu não sabia, o que me facilitou muito a vida, tanto que eu não consultei os livros de regras nenhuma vez. Para minha surpresa a galera gostou bastante e viviam me cobrando mais aventuras. Isso foi mais ou menos em 1999.
Quando eu comecei a narrar O Senhor dos Anéis RPG, não havia lido ainda todos os livros, estava terminando As Duas Torres e não tinha lido O Hobbit nem os Contos Inacabados. O meu conhecimento sobre a Terra-Média era resumido ao Silmarillion e a Sociedade do Anel, fora o Livro Básico do sistema Coda.
No início eu tive muitas dificuldades com o sistema, além do fato de nunca ter narrado fantasia medieval, então eu tratei de ler os outros livros de Tolkien, assistir aos filmes novamente várias vezes. Para conseguir ideias diferentes li outros livros e vi vários filmes de fantasia, para obter inspiração.
Uma coisa que eu sempre achei problemática nas aventuras que eu narrava era o enredo, nunca conseguia faze-la chegar a um clímax no tempo apropriado. Foi a partir daí que eu comecei a fazer anotações, tipo um enredo de como deveriam ser as aventuras, bem linhas gerais, nada muito amarrado.
Para aprender as regas do sistema li o livro inteiro, separando por partes, tentava entender como funcionava a criação de personagens lendo primeiro, depois iria criar um personagem e evoluía-o para compreender como era. Para entender como funcionava o sistema de combates eu lia as regras, simulava um combate e ia consultando o livro passo-a-passo da simulação. Desta maneira passei a compreender melhor as regras e aplica-las com maior precisão.
Por uma necessidade minha de narrar em encontros e cobrança do pessoal que acessa o site, passei a criar aventuras curtas e bem amarradas, depois de ter passado por aventuras longas e bem trabalhosas de se fazer e não muito divertidas de se jogar e narrar. Para minha surpresa elas se tornaram bastante interessantes para se narrar com o grupo de jogo, tanto é que passei a fazer minhas aventuras no formato das que estão disponíveis no site, já que são muito mais simples para mim e posso utilizar as regras que eu quero e posso controlar bem o enredo dela.
Atualmente estamos jogando mais D&D 3,5, infelizmente não tenho narrado muito, por conta do tempo, mas uma coisa que eu descobri na última vez em que eu narrei e que foi muito divertido para o grupo e me poupou muito tempo foi o fato de usar aventuras prontas que vêm em revistas, como nas Dragonslayer, Dragão Brasil e D20 Saga, eu utilizo somente a história, encaixo no contexto das aventuras anteriores e adapto ao nível dos personagens usando outros NPCs e vilões ou então personalizo eles para que fiquem mais interessantes para os jogadores e para mim.
Para mim, o que funcionou? Algumas coisas básicas, como observar os outros narradores, sempre observo os narradores com os quais eu jogo, para que possa aprender alguma coisa nova e utilizar o que eu acho de mais divertido. A leitura de muitos livros e os filmes que assisti, todos eles serviram de inspiração para alguma aventura, monstro, encontro ou situação. Ler as regras e brincar com elas, fazer simulações, construir personagens, monstros e criar em cima delas, ajuda muito a aprender e decorar tudo, fora o escudo do narrador que ajuda bastante na hora do jogo. Botar no papel tudo o que você vai fazer na sua narrativa, escrevendo sua aventura completa, um pequeno roteiro, um guia para encontros ou usando uma aventura feita.
Enfim, contei algumas coisas que me ajudaram bastante e ainda me ajudam a narrar, caso você tenha alguma experiência deixe um comentário neste texto ou use nosso fórum ou comunidade no orkut.
Por: minasmorgul


gostei da matéria é sempre legal saber como é a experiencia dos outros como narrador4es e jogadores, agora eu tenho uma pergunta qualfoi a maior difculdade de mestrar senhor dos aneis?
Eu acho que a maior dificuldade foi de narrar aventuras interessantes que não eram relacionadas com os fatos narrados nos livros, fazer com que os jogadores fosse também muito importantes para o futuro da Terra-Média, isso é realmente difícil, principalmente quando se narra para um grupo que conhece tudo de O Senhor dos Anéis.
Uma boa dica pra quem quer narrar SdA, principalmente em grupos que conhecem bem a história da terra-média, é caçar brechas nas histórias do Tolkien de modo que os personagens acabem contribuindo com o destino da terra-média sem afetar a história dos livros.
Eu particularmente, no começo da narração, quando os jogadores ainda não são muito fortes, não os coloco em papéis muito importantes para a Terra Média como um todo, mas sim, os ponho em demandas locais. Na medida em que vão evoluindo seus personagens ganhando importancia pelos seus feitos e reconhecimento por parte de terceiros, é que eu vou tambem evoluindo a importancia das demandas que eles carregam. Também procuro respeitar o máximo possivel a literatura Tolkieniana, pois, obviamente, a história ganha, pelo menos pra min, uma atmosfera mais apaixonante e inspirante, fora a vantagem de termos o parâmetro já estabelecido pela literatura, mas lógico que só uso a cronologia já existente nos livros até aquele momento em que vou começar a narrar, depois, os acontecimento vão mudando de acordo com o passar do tempo e minha vontade, se assim for importante para a narrativa. Desejo começar agora uma narração na 2ª era, o que vocês acham?
Cara e bom mesmo sabe e jogar na terra media antes da queda de numeror 2 era ou na queda de na numeror na guerra
A sua formação como mestre foi muito boa. Assistir filmes/ler livros de fantasia ajuda demais.
Aventuras prontas eu uso sempre, e faço como você, eu adapto os monstros ao meu contexto e lvl dos personagens.
eu faço rpgs de guerreiros e ja fiz misturas com animes