
A franquia aclamada de jogos eletrônicos Dragon Age, este ano passou a ser também um bom jogo de RPG de mesa, primeiramente lançado nos EUA, finalmente ele foi lançado aqui no Brasil.
O Dragon Age RPG possui um formato conhecido pelos jogadores mais veteranos com os dados, ele vem em uma caixa contendo um livro para os jogadores outro para o mestre de jogo, três dados de seis faces e um mapa de Ferelden (país onde é focada a ação neste conjunto). O formato é bastante legal e prático para guardar o material de jogo, mas se você não tomar cuidado sua caixa vai ficar estragada bastante rápido.
Os livros tanto do jogador quanto do mestre são curtos, apenas 64 páginas, justificável pela limitação das regras contidas no conjunto, só é possível jogar com personagens até o 5º nível. A promessa da editora norte americana Green Ronin é que o jogo será expandido através de outros quatro conjuntos semelhantes.
O fato das regras possuírem a limitação acima descrita são pontos bons e ruins ao mesmo tempo. É positivo pois você tem regras simples e equilibradas que serão necessárias para aquele momento, fora que o game design acompanha as reclamações dos jogadores corrigindo qualquer distorção na evolução dos personagens ou nas regras que possam causar desequilíbrio.
É negativo porque você estará comprando um produto incompleto, não há tudo o que você talvez queira utilizar em seu jogo, apenas o necessário a personagens de níveis baixos. Fora que o conjunto dois está atrasado nos EUA, o que provocará também uma demora em ser lançado aqui no Brasil, o que poderá, eventualmente, paralisar o jogo por falta de regras ou forçar os narradores a criarem regras alternativas ou gambiarras para poderem continuar com suas campanhas.
Mas falemos sobre os livros em si, primeiramente sobre o guia do jogador.
Guia do Jogador
Como dito anteriormente é um livro fino, apenas 64 páginas, mas com o texto bastante fluído e com uma tradução competente que ajuda bastante na compreensão das informações. O Guia do Jogador possui basicamente duas coisas uma breve explicação sobre o cenário de campanha e regras.
O mundo conhecido é chamado por Thedas, mas a maioria das ações ocorrerá no reino de Ferelden, um país ainda jovem e de origem bárbara, com muitas áreas inexploradas e ruídas de impérios antigos, governada por muitos senhores de terras, no estilo feudal (leia os seus livros de história para saber mais).
O texto dá um breve histórico do mundo e de Ferelden, o necessário para o narrador e os jogadores entenderem o mundo, há uma seção que dá informações acerca do que os personagens devem saber sobre o mundo e o reino, também bastante breve, mas muito interessante.
O cenário em si não possui nada de extraordinário, mas é interessante, tanto quanto o de Karameikos (o reino onde começava as aventuras na antiga caixa do cenário de Mystara para o empoeirado AD&D), senão algo mais. Considerando que o jogo é voltado para jogadores iniciante não há um bombardeio de informações desnecessárias como a maioria dos livros de cenário.
Quanto ao sistema de jogo posso dizer que é encantador, apesar de ele não estar completo no livro, mas o necessário para jogar é muito interessante e inspirador. É um sistema simples, mas com muito brilho e cor, ele possui algo de que eu gosto muito, posso colocar regras opcionais em cima das regras básicas sem deixá-lo muito lento ou complexo.
A regra básica aqui é a seguinte role três dados de seis faces some o resultado, adicione o seu valor de atributo e a especialidade, se houver e adicione mais algum bônus que se aplique ao caso e compare com o número alvo, que é a dificuldade, isto repete-se para tudo, desde magia ao combate.
Para um sistema que se propõe a ser simples e fácil para jogadores iniciantes é muito bom, diria que supera em sua proposta o que diversos sistemas com mais nome prometem. Mas se você vem do jogo eletrônico Dragon Age: Origins vai notar muitas diferenças no sistema de combate, nas características dos personagens e nas magias, mas isto foi uma opção de game design, muito acertada, diga-se.
Para os jogadores comporem os seus personagens não temos grandes opções, temos apenas três “classes” (mago, ladino e guerreiro), três raças básicas (humano, elfo e anão) e algumas opções de histórico. A construção dos personagens depende da escolha do histórico, da raça e da classe, cada um deles dá um conjunto de habilidades e vantagens próprio, sendo que algumas opções de raça e historio impedem o acesso a determinada classe, como os anões que não podem ser magos.
As próprias classes seguem uma estrutura linear de evolução, podendo-se optar pelos talentos e especializações nas perícias, que não são lá muitas, mas é o necessário para jogar. Um grupo mais criativo e com maior conhecimento do jogo eletrônico poderá criar algo mais sem grandes dificuldades.
Guia do Mestre
O Guia do Mestre é um livro igualmente pequeno, apenas 64 páginas, mas possui um conteúdo muito interessante. Primeiramente ele ensina o que é ser um mestre de jogo ao jogador iniciante, dá diversas dicas de como se comportar e conduzir o jogo e por fim dá mais opções de sistema e para montar aventuras.
Este é o livro para mestres de jogo com um dos textos mais interessantes que eu já li, ele realmente ensina como conduzir um jogo e como organizar uma partida, desde material de campanha, passando pelo ambiente onde ocorrerá o jogo, passando pelos próprios jogadores.
No livro há dicas preciosas do que o narrador deve fazer e o que ele deve evitar, este é um texto que eu e diversas outras pessoas que narram partidas de RPG deveriam ou devem ler, já que eu conheço um monte de gente que faz coisas que no guia ensina a não fazer.
No mais as dicas para organizar campanhas são as conhecidas de todo o narrador com mais experiência, mas é sempre bom relembrar.
A parte de sistema explica algumas peculiaridades do sistema de regras, dando subsídio para o narrador utilizar de forma mais adequada os desafios e perigos impostos aos personagens jogadores, é interessante porque expande um pouco o que é explicado no livro do jogador, além de ampliar um pouco as regras contidas no Guia do Jogador.
Há também um pequeno bestiário com algumas criaturas de exemplo, bem como humanos e elfos que podem ser usados como adversários. Logo após, é explicado como o mestre deve conceder as premiações aos jogadores, tanto em experiência quanto em tesouros e títulos de honra.
Por fim, há uma pequena, mas bem elaborada aventura introdutória que dá uma idéia de como funcionam as coisas no cenário para os personagens de baixo nível.
Algo que não comentei ainda é o fato de os livros serem em preto e branco em seu interior, isto em nada prejudica ao contrário, torna o conjunto mais barato. Eles possuem boas ilustrações, nada fora do comum. O texto é bem organizado e a fonte utilizada é grande e confortável para quem tem algum problema visual.
A Caixa
Na caixa, além dos livros há ainda um belo mapa de Ferelden, não muito detalhado, mas dá uma boa idéia aos jogadores de como é o país em sua geografia e um conjunto com três dados de três faces (dois brancos e um vermelho). Para quem comprou a caixa durante a pré-venda ainda ganhou um pôster de brinde.
Conclusão
Dragon Age RPG é uma boa aquisição para quem quer montar um grupo com jogadores iniciantes ou está cansado de sistemas muito complexos, para que quer adaptar um cenário mais simples para algum sistema ou para quem joga o Dragon Age: Origins e quer aprender a jogar RPG de mesa. É um produto que nós recomendamos e inclusive iremos iniciar em breve um suporte maior aqui no site.
Dados técnicos:
Autor: Chris Pramas
Ilustrações: Diversos
Editora: Jambo
Páginas: Dois livros com 64 páginas cada em P/B
Preço: R$ 65,00







Comprei o Dragon Age e recomendo. Muito simples e prático, basta ler as regras uma vez para entendê-las e já sair jogando. E o cenário é muito legal também.
Pena que esse box só leva até o nível 5.
Mas demora bastante para chegar ao 5º nível e caso você consiga avançar dele no site Paragons e no nosso fórum está a primeira parte das regras traduzidas do playtest da segunda caixa, que eleva o nível dos personagens até o 10º, além de incluir novas opções.
Parabéns pelo texto!
Estou procurando pessoas para jogar RPG no RJ. Alguma sugestão?
Pessoal,
Estou procurando alguém no RJ para jogar RPG. Alguma sugestão?
Ricardo, há basicamente dois eventos de RPG que ocorrem regularmente no Rio, são os encontros da Rede RPG no Bob’s próximo ao Tijuca Off-Shopping, sempre no primeiro sábado do mês e o RPG Urbano (http://www.rpgurbano.com.br, página do evento no facebook https://www.facebook.com/events/824592010931272/), lá inclusive você poderá pesquisar por mais eventos que ocorrerão no Rio (http://www.rpgurbano.com.br/events/).
Estou te indicando eventos e não grupos, pois você poderá conhecer várias pessoas e de repente achar um grupo que você se identifique melhor e que seja mais próximo de você.
Obrigado Minas Morgul!
E a propósito, parabéns pelo post! Excelente!
Eu que agradeço! Espero que consiga um grupo bem bacana pra você jogar!
José de qual lugar do Rio de Janeiro vc é?