Ontem a Sony começou uma ofensiva na mídia para tentar explicar o porquê do preço ridículo do PlayStation 4 no Brasil.
Foram entrevistas de Mark Stanley, responsável pela divisão PlayStation na América Latina, reportagens em sites financeiros e uma nota no próprio PlayStation Blog Brasil, mas sempre batendo na mesma tecla: os impostos.
Segundo Mark Sstanley:
Entender as diferentes camadas de impostos é algo tão difícil que decidimos criar um gráfico para explicar o preço do PlayStation 4. Bem, para começar o preço do PS4 é de US$ 399 (R$ 858). Ao importar o aparelho ao Brasil os impostos chegam a 63%, o que totaliza R$ 2.524 apenas em taxas.
Depois disso há R$ 875, o que inclui a margem da revenda e da Sony Brasil. No total isso dá R$ 4.257, ou seja, este deveria ser o preço final. Porém, decidimos retirar qualquer margem da lucro da Sony Brasil para que o preço ficasse em R$ 3.999.
O problema é que, mesmo com o subsídio o preço é caríssimo e, honestamente, não gostaríamos de vender uma unidade sequer a R$ 3.999. Não é um preço justo e o valor não está de acordo com o trabalho que estamos fazendo no Brasil, onde nosso esforço é baixar o preço do hardware e do software sempre que possível.
O dito gráfico é este abaixo, que na prática não explica nada, já que não especifica as alíquotas dos impostos e não informa sua base de cálculo e da mesma forma mascara os valores de margem de lucro dos lojistas e da própria distribuidora. Fora que se for para desenvolver o custo do console é preciso levar em conta o investimento em transporte e publicidade. E o que considero mais importante, na composição do preço básico do console, não é demonstrada a cotação do dolar utilizada para a conversão. Enfim, é uma furada atrás da outra da Sony.
Uma das poucas coisas que fazem sentido do que foi veiculado pela Sony até agora é que a produção nacional do PlayStation 4 reduziria bastante o seu custo e por consequência o seu preço:
…Infelizmente, estamos perto do lançamento e a única coisa que pode mudar este quadro é a fabricação local, que poderia reduzir este preço à metade.
…O investimento que vai na criação de uma estrutura para isso é na casa de bilhões. Assim, para garantir que o processo seja feito com qualidade, só há uma fábrica autorizada para fabricar o PS4 no mundo inteiro.
Hoje em dia, só há três fábricas de PS3 no mundo e uma delas é no Brasil. Para isso acontecer, foi preciso muito estudo para garantir que as peças daqui tivessem o mínimo de qualidade necessária.
Sabendo que o PS4 é um aparelho novo, que usa chips novos, ainda não há alternativas locais para esses chips. É um processo complexo, só depois de fabricar e perder algumas unidades é que você entende as dificuldades de produzir essa máquina. Depois que você aprende com alguns meses de fabricação internacional aí sim é possível pensar em tentar reproduzir esse processo aqui no Brasil.
Além disso, é preciso também considerar quantos componentes serão feitos no Brasil e quantos serão importados, essa é uma parte muito grande do preço. Há muitos impostos complicados associados à fabricação local, cada peça que você importa sofre com um imposto diferente, então é um processo caro.
A melhor maneira de lidar com essa questão é começar a produzir em apenas uma fábrica, aprender com esse processo e aí pensar em replicar o processo aqui no Brasil.
Mas como foi explicado uma fábrica de PlayStation 4 no Brasil está fora de cogitação, até mesmo agora que o PlayStation 3 está lucrativo para a Sony e sua fábrica aqui no Brasil é otimizada para este console. Para a empresa não faria qualquer sentido investir na mudança de uma base de produção que dá lucro para outra que no máximo irá empatar os custos com o lucro. Fora que certamente há contratos de exclusividade para a produção que impedem o implemento de uma nova fábrica aqui no Brasil.
Outra confirmação do que se suspeitava quanto à composição do preço do PlayStation 4 no Brasil é a quantidade de unidades liberadas para a venda no Brasil. Quanto menos unidades de um produto no mercado, maior o seu preço, a famosa lei da oferta e procura:
…Nós temos pouquíssimas unidades para o lançamento. Nós não esperamos que ocorra um esgotamento dos estoques a esse preço. Nossa ideia por trás desse lançamento era garantir que o console estava disponível, mesmo que ele tenha um preço muito alto. Então teremos algumas unidades nas lojas disponíveis como uma opção para os consumidores. Mas repito: todos os nossos esforços vão estar focados em começar a manufatura para que consigamos suprir as lojas com estoques ilimitados a um preço muito mais razoável.
A cada momento as explicações da Sony ficam mais furadas que um queijo suíço, já que não deixam clara a questão dos impostos, custos de produção e distribuição, taxa de conversão para o Real, margens de lucro e agora a quantidade consoles no mercado.
Tais explicações da Sony nos fazem pensar em que tipo de magia negra a Microsoft fez para lançar o Xbox One no Brasil por R$2.200,00, pois se seguirmos a lógica da Sony ou o pessoal da Microsoft conseguiu negociar melhor com o governo na questão de impostos (o que diretamente é o mesmo que chamar a Sony de incompetente) ou a Microsoft está sonegando impostos com o Xbox One, no mínimo é uma questão interessante.
Fontes: UOL Jogos, Valor Econômico e PlayStation Blog Brasil

